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Comentários / PRODEMGE - Companhia de Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais - Analista de Gestão Administrativa - FUMARC - 2011 - Prova Objetiva


A sobrevivência da palavra escrita e do caráter humano

1                   Em tempos de linguagem virtual, com a predominância
           da informática como espinha dorsal da comunicação
           humana, questiona-se o futuro da palavra
           escrita que começou a ser impressa na pedra das cavernas,
           passou pelos blocos de argila, pela pele dos
           animais e pelo caule dos papiros até ganhar mobilidade
           e universalidade com o papel dos chineses e com
           os tipos móveis de Gutenberg.
2                   A tecnologia, somando todos os ancestrais da linguagem,
           já caminha para a voz humana que, além
           de servir de base para a comunicação oral, em breve
           será virtualizada e comandará os computadores e
           todas as operações digitalizadas. E já garantem que
           esse comando em breve será feito sem necessidade
           da voz, bastando o pensamento, que será informatizado
           e acionará o universo eletrônico, que está cada vez
           mais próximo.
3                   Pensaremos uma pergunta e sensores digitalizados
           a transmitirão ao destinatário, que a receberá
           quase esotericamente – “sensoriamente”, na extensão
           da palavra. Pensará na resposta que será enviada
           pelo mesmo caminho. Exemplo de uma pergunta:
           “Você quer ser minha”? Uma resposta provável: ”Quero”.
           Isso tudo (e que tudo maravilhoso) sem a necessidade
           de palavras e de voz. Os ufólogos afirmam que
           é mais ou menos assim que os seres extraterrestres
           se comunicam. Talvez eu não viva o bastante para
           chegar a essa instantaneidade. Mesmo assim, deixo a
           pergunta ortodoxamente impressa. E fico à espera da
           resposta adiantando que, provisoriamente, qualquer
           meio serve.
4                   Apesar do avanço tecnológico, sempre haverá
           uma dúvida sobre a eficiência e a durabilidade da
           comunicação virtual. A sociedade ainda exigirá, por
           muito tempo, a grafia impressa, o chamado preto no
           branco. Teremos de ir à Polícia Federal para assinar
           o passaporte, aos tabeliões para assinar os testamentos
           e escrituras etc.etc.
5                   Contudo, a linguagem literária, feita de letras e
           símbolos gráficos tradicionais, deverá continuar ainda
           que marginal à linguagem oficial, que será virtualizada.
           Assim como a fotografia não aboliu o desenho, o retrato
           ou a paisagem pintada, a palavra impressa continuará
           como poderoso elemento da comunicação humana.
6                   Daí que Pilatos mandou colocar na cruz do Calvário
           um ancestral do outdoor moderno, indicando que
           ali, pregado no madeiro, estava Jesus de Nazaré, Rei
           dos Judeus, cartaz que os pintores da Renascença reduziram
           para iniciais “INRI”. Os judeus não gostaram.
           Então, aquilo, um corpo esquálido e mortificado, vencido
           pela morte, seria o rei deles? Pilatos respondeu:
           “O que escrevi está escrito”. “Em latim: Quod crise
           scripsi”.
7                   Pulando do Calvário para as esquinas das nossas
           cidades, a frase de Pilatos foi adotada pelos banqueiros
           do jogo do bicho. Eles imprimem nos talões que
           guardam a fé dos apostadores: “Vale o escrito”. É a
           força da palavra impressa que jamais passará.
8                   “Passará o céu e a terra” - disse o mesmo Jesus,
           antes de ser colocado na cruz -, “mas as minhas palavras
           não passarão” Muita gente condena gramaticalmente
           a frase, achando que o Mestre dos Mestres
           deveria ter dito “passarão o céu e a terra”. Não sei,
           não lembro mais, mas parece que Vieira tem um comentário
           a respeito disso.
9                   De qualquer forma, ficarão valendo por muito
           tempo, ainda, e talvez para sempre, aquele ditado
           segundo o qual as palavras voam e a escrita permanece.
           Citando mais uma vez em latim: “Verba Volent,
           script manent”.
10                Há também o ditado que não é latino, mas vernáculo
           mesmo: “Escreveu não leu, o pau comeu”. E
           temos a expressão que todos usamos quando queremos
           afirmar alguma coisa de forma peremptória: “Assino
           em baixo”. Num dos capítulos mais importantes
           e bonitos de “Ulisses”, Joyce fala na “assinatura de
           todas as coisas”.
11                Ao tempo de Pilatos e de James Joyce, a linguagem
           virtual estava longe. Mas, além da realidade física,
           da palavra impressa, ela servia de símbolo da
           identidade e da perenidade da comunicação entre os
           seres humanos.
12                Mas os homens, segundo Iago, são homens.
           Sempre dão um jeito de melar as coisas, até mesmo
           aquilo que escrevem. Muitos escrevem e depois negam
           o que escreveram, dizendo que nunca escreveram
           aquilo, alegando que a escrita é apócrifa, forjada
           por adversários. Um recurso primário por sinal.
13                Outros são mais sofisticados. Escrevem e, na
           impossibilidade de negar o que escreveram, pedem
           que esqueçam o que escreveram. Pilatos podia ter
           partido para essa pedindo aos judeus que esquecessem
           a frase que ele mandou botar em cima da cruz do
           Calvário. Também os bicheiros poderiam alegar que
           o apostador não apostou naquele milhar ou naquela
           centena. Que esquecessem o talão.
14                Mas tanto Pilatos como os bicheiros, por motivos
           diferentes, assumiram o que escreveram. O primeiro
           reafirmou que aquilo que escreveu está escrito. Os
           segundos garantem que vale o escrito.
15                No limiar da era virtual, com o advento da linguagem
           digitalizada, o processo da comunicação será
           sempre alterado. Mas o caráter bom ou mau do ser
           humano será o mesmo.

(CONY, Carlos Heitor, Jornal Folha de São Paulo. Junho de 2007. p. 16)
 

Questão:

No trecho “Ao tempo de Pilatos e de James Joyce, a linguagem virtual estava longe”. Mas, além da realidade física, da palavra impressa, ela servia de símbolo da identidade e da perenidade da comunicação”.

Os termos negritados acima têm, respectivamente, a equivalência de

Resposta errada
a)

adversidade - causa - tempo.

Resposta errada
b)

consequência - tempo - adversidade.

Resposta correta
c)

tempo - adversidade - adição.

Resposta errada
d)

adição - adversidade - tempo.

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