ACESSE GRATUITAMENTE + DE 450.000 QUESTÕES DE CONCURSOS!

Comentários / Assembleia Legislativa - Espírito Santo - Procurador do Estado - Nível I - CESPE - UnB - 2011 - Prova Objetiva


A corrupção como fenômeno político

1          No Brasil, as denúncias de corrupção têm sido divulgadas pela grande mídia como se fossem uma característica do
        agrupamento político que está no poder. Tudo se passa como se pessoas de caráter duvidoso se aproveitassem do Estado em favor
        de seus interesses pessoais e grupais.
4        Essa forma de veicular denúncias e indícios reafirma muitos dos mitos acerca do fenômeno da corrupção. Podem-se
        inventariar alguns: a colonização portuguesa, que seria essencialmente patrimonialista, em contraposição ao “poder local” e ao
        “espírito de comunidade” da tradição anglo-saxã; a cultura brasileira, com seu universo miscigenado, tão criticado por perspectivas
7       eugenistas do início do século XX, e sua “amoralidade macunaímica”, que não teria, mesmo após a independência e a República,
        conseguido separar o público do privado; a disjunção entre elites políticas e sociedade, como se as primeiras não fossem reflexo, direto
        e(ou) indireto, da última; a ausência de uma base educacional formal sólida como explicação para comportamentos não republicanos;
10     por fim, a ausência e(ou) fragilidade de leis e de instituições capazes de fiscalizar, controlar e punir os casos de malversação dos
        recursos públicos, como se o país fosse “terra de ninguém”.
           Todas essas versões tendem a negligenciar o fato de que a corrupção, em graus variados, existe em todos os países e é, de
13      certa forma, também um fenômeno sociológico. Assim, urge analisarmos a corrupção como fenômeno intrinsecamente político, que
        se refere, portanto, à maneira como o sistema político brasileiro está organizado.
           A lógica do sistema político brasileiro é marcada pela privatização da vida pública, não em termos moralistas, mas sim quanto
16      às estruturas que o sustentam. Por mais avanços que a sociedade e o Estado estejam vivendo desde a redemocratização e, sobretudo,
        desde a Constituição de 1988, ainda há uma incrível opacidade que encobre esquemas poderosos de tráfico de influência. As
        informações que deveriam ser públicas, como contratos estabelecidos entre o Estado e os agentes privados, são de difícil acesso;
19      a linguagem da administração pública continua hermética aos cidadãos comuns, a começar pelo orçamento; o processo licitatório é
        flagrantemente burlado pela própria natureza oligopólica da economia brasileira, principalmente nas obras “públicas” que envolvem
        bilhões de reais; não há no país uma “cultura política” de prestação de contas, por mais que avanços sejam observados desde a
22      redemocratização e mesmo pela intensa mobilização da sociedade política organizada no Brasil.
           O fato de mesmo o cidadão comum, pobre, não antever claramente a linha divisória entre o público e o privado é muito mais
         a expressão da forma como o Estado foi estruturado, e de sua apropriação por grupos distintos ao longo do tempo, do que propriamente
25      um fenômeno moral.

Questão:

Quanto ao emprego dos sinais de pontuação no texto, assinale a opção correta:

Resposta errada
a)

No segundo parágrafo, o emprego de ponto e vírgula justifica-se por marcar a intercalação das orações que descrevem cada mito.

Resposta errada
b)

As vírgulas que isolam o trecho "com seu universo miscigenado" (l.6) poderiam ser substituídas por travessões, sem prejuízo para a correção gramatical do período e para o sentido do texto.

Resposta errada
c)

Na linha 13, o deslocamento do advérbio "intrinsecamente" para imediatamente após "analisarmos" exigiria que esse advérbio fosse pontuado entre vírgulas, para que se mantivessem o sentido e a correção gramatical do texto.

Resposta correta
d)

A vírgula imediatamente anterior a "por mais que avanços" (l.21), apesar de ser de uso facultativo, contribui para a concatenação das ideias do período em que ocorre.

Resposta errada
e)

No segundo e no quarto parágrafos, o emprego de aspas em algumas expressões sugere que o autor ratifica o sentido usual dessas expressões em contextos semelhantes àqueles em que estão empregadas no texto.

Comentários

Ainda não há comentários

Deixe o seu comentário aqui

Para comentar você precisa estar logado.
E-mail: Senha:

Não é cadastrado?

⇑ TOPO

 

 

 

Salvar Texto Selecionado


CONECTE-SE

Facebook
Twitter
E-mail

 

 

Copyright © Tecnolegis - 2010 - 2024 - Todos os direitos reservados.