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Informações da Prova Questões por Disciplina UECE - Universidade Estadual do Ceará - Vestibular - UECE - Universidade Estadual do Ceará - 2012 - 1.ª Fase - 2013.1 - Língua Inglesa

Interpretação de Textos

Sobrados e mocambos

1        Também é característico do regime
2     patriarcal o homem fazer da mulher uma
3     criatura tão diferente dele quanto possível. Ele
4     o sexo forte, ela o fraco; ele o sexo nobre, ela o 
5     belo.
6        Mas a beleza que se quer da mulher, dentro
7     do sistema patriarcal, é uma beleza meio
8     mórbida. A menina de tipo franzino, quase
9     doente. Ou então a senhora gorda, mole,
10    caseira, maternal, coxas e nádegas largas. 
11    Nada do tipo vigoroso e ágil, aproximando-se
12    da figura do rapaz.
13       Talvez nos motivos psíquicos da preferência
14    por aquele tipo de mulher mole e gorda se
15    encontre mais de uma raiz econômica: 
16    principalmente o desejo, dissimulado, é claro,
17    de afastar-se a possível competição da mulher
18    no domínio, econômico e político.
19       À exploração da mulher pelo homem,
20    característica de outros tipos de sociedade ou
21    organização social, mas notadamente do tipo 
22    patriarcal-agrário — tal como o que dominou 
23    longo tempo no Brasil — convém a extrema
24    especialização ou diferenciação dos sexos. Por
25    essa diferenciação exagerada, se justifica o
26    chamado padrão duplo de moralidade, dando
27    ao homem todas as liberdades de gozo físico do 
28    amor e limitando o da mulher a ir para a cama
29    com o marido, toda santa noite que ele estiver
30    disposto a procriar.
31       O padrão duplo de moralidade característico
32    do sistema patriarcal limita as oportunidades da
33    mulher ao serviço e às artes domésticas. E uma
34    vez por outra, em um tipo de sociedade católica
35    como a brasileira, ao contato com o confessor.
36       Aliás, pode-se atribuir ao confessionário, nas
37    sociedades patriarcais em que se verifique 
38    extrema reclusão ou opressão da mulher,
39    função utilíssima de higiene mental, ou melhor, 
40    de saneamento mental.
41       Muita mulher brasileira deve se ter salvado
42    da loucura, que parece haver sido mais 
43    frequente entre as mulheres das colônias
44    puritanas da América do que entre nós, 
45    graças ao confessionário.

Gilberto Freyre. Sobrados e mocambos. Cap. IV. pág. 207-208. Texto adaptado.

1 -

Este texto inicia o quarto capítulo do livro de Gilberto Freire, Sobrados e mocambos. O capítulo começa com a partícula “também”, o que sugere que há, entre o que vai ser dito e o que foi dito, uma ideia de

a)

inclusão e continuidade.

b)

proporcionalidade e adição.

c)

compensação e complementação.

d)

reforço explicativo e ênfase.

2 -

O primeiro parágrafo do texto (linhas 1-5) é formado de dois períodos. O segundo período, em relação ao primeiro, desempenha mais de uma função discursiva. Dentre essas funções, a única que o segundo período NÃO desempenha é a função de

a)

explicar.

b)

confirmar.

c)

exemplificar.

d)

condensar.

3 -

O início do segundo parágrafo com um “mas” (linha 6) indica uma oposição

a)

à ideia implícita de que o homem dita as características femininas socialmente aceitáveis.

b)

ao que está expresso claramente, no nível puramente linguístico do enunciado “ele o sexo forte, ela o fraco”.

c)

a uma informação que está dita, de forma clara e explícita, no final do parágrafo: “ele o sexo nobre, ela o belo”.

d)

a uma pressuposição do enunciador de que os leitores poderiam entender o belo como o belo clássico, isto é, o belo equilibrado e harmonioso.

4 -

Atente para o que se diz sobre as ideias do terceiro parágrafo.

I. O econômico pode estar na base do psíquico, no que diz respeito à preferência pelo “tipo de mulher mole e gorda”.

II. Havia a certeza, por parte do homem, de que a mulher lhe seria uma ameaça à hegemonia na sociedade, no plano político e econômico.

III. Na afirmação de que o desejo de afastar a competição da mulher seria dissimulado, está pressuposta a ideia de que tornar claro esse desejo evidenciaria uma provável fraqueza do homem.

Está correto o que se diz em

a)

I e III apenas.

b)

II e III apenas.

c)

I e II apenas.

d)

I, II e III.

5 -

Leia o que é dito sobre o padrão duplo de moralidade de que fala o texto.

I. É um tipo de moralidade que se volta mais para o campo sexual.

II. As oportunidades da mulher na sociedade independem desse tipo de moralidade.

III. O maior índice de loucura feminina foi registrado nas colônias puritanas da América porque as mulheres não podiam contar com a confissão.

Está correto o que se diz apenas em

a)

III.

b)

II e III.

c)

I e II.

d)

I e III.

6 -

Sobre o período — “À exploração da mulher pelo homem, característica de outros tipos de sociedade ou organização social, mas notadamente do tipo patriarcal-agrário — tal como o que dominou longo tempo no Brasil — convém a extrema especialização ou diferenciação dos sexos” (linhas 19-24) só NÃO se pode dizer que

a)

esse período foi escrito em ordem indireta. Na ordem direta, ele teria a seguinte estrutura: A extrema especialização ou diferenciação dos sexos convém à exploração da mulher pelo homem, característica de outros tipos de sociedade ou organização social, mas notadamente do tipo patriarcal-agrário — tal como o que dominou longo tempo no Brasil.

b)

os elementos que contêm as informações mais importantes do período são os seguintes: “À exploração da mulher pelo homem convém a extrema especialização ou diferenciação dos sexos”.

c)

o trecho — característica de outros tipos de sociedade ou organização social, mas notadamente do tipo patriarcal-agrário — tal como o que dominou longo tempo no Brasil —, refere-se à expressão à(a) exploração da mulher pelo homem e funciona como um aposto.

d)

em ”A especialização ou diferenciação dos sexos convém”, há um caso de concordância verbal que foge aos padrões da gramática normativa.

A bagaceira

A bagaceira, obra de José Américo de Almeida, publicada em 1928, é a precursora do moderno romance brasileiro do Nordeste. O romance passa-se entre 1898 e 1915, dois períodos de seca. Valentim Pereira, sua filha Soledade e o afilhado Pirunga abandonam a fazenda do Bondó, na zona do sertão. Encaminham-se para as regiões dos engenhos, no brejo, onde encontram acolhida no engenho Marzagão, de propriedade de Dagoberto Marçau, cuja mulher, uma retirante, falecera por ocasião do nascimento do único filho, Lúcio. Passando as férias no engenho, Lúcio conhece Soledade e por ela se apaixona. A história vai muito além, mas essas informações são suficientes para o entendimento do texto seguinte, extraído do primeiro capítulo.

 

46        A mata fronteira, o padrão majestoso,
47     estava acesa numa cor de incêndio.
48        Havia uma semana, surdira um toque
49     estranho na monotonia da verdura. Dir-se-ia 
50     um ramo amarelido à torreira da estação.
51        Dominava ainda a esmeralda tropical. Mas,
52     com pouco, emergira o mesmo matiz em
53     outro trecho vizinho, como um efeito de luz,
54     um beijo fulgurante do sol em árvore favorita.
55     E, logo, o pau d’arco assoberbou a flora, como
56     um banho de ouro na folhagem.
57        Nessa manhã luminosa a mata 
58     resplandecia com uma orgia de desabrocho 
59     em sua pompa auriverde.
60        Sem a percepção da paisagem, com a
61     sensibilidade obtusa e entorpecida aos
62     primores da natureza, Dagoberto inquietava-
63     se, pela primeira vez, perante o ouro que
64     frondejava. Parecia-lhe que o sol tinha 
65     baixado sobre a selva fulva.
66     Era, talvez, a cor que lhe suscitara o 
67     interesse chambão. As pétalas áureas...
68        E semicerrou, novamente, os olhos 
69     descuriosos.
70        Senão quando, foi despertado por uma voz 
71     sumida que o sobressaltou. Não notara o 
72     acesso de outro grupo de retirantes.
73        Importunavam-no os intrusos, cortando
74     -lhe o fio dos cálculos da colheita ou de alguma
75     cisma transitória.
76     Pediam-lhe uma pousada.
77     Ele abanou a cabeça negativamente.
78     E os ádvenas quedaram-se esmorecidos
79     pelo repouso momentâneo.
80     Saiu para enxotá-los [...]
81     E esbravejou:
82     — O que já disse está dito!!
83        Nisto, desmontou-se uma rapariga e, com
84     a vozita soprara:
85     — Se o senhor pudesse mandar alcançar
86     -me um pouco d’água...
87        Ele examinou-a através das pestanas
88     cerdosas e ficou com a fisionomia suspensa, 
89     como quem reconstitui uma visão ou evoca
90     um fato.
91     — Milonga, olha aqui!
92        E, enquanto a retirante segurava o copo 
93     com os dedos mirrados, interpelou, indicando
94     um rapaz que a acompanhava:
95     — São irmãos?
96     — Senhor não; mas, é como se fosse —
97     respondeu o mais velho que procurava
98     esconder a cara na barba intonsa.
99     Seguiram caminho.
100    — Manuel Broca! Ma-nuel!
101    Chegou o feitor. E Dagoberto, apontando o 
102    grupo que se distanciava:
103    — Arranche aquela gente.
104       E entrou a ir e vir, em longos passos 
105    frouxos, no seu hábito de marchar para um 
106    ponto que lhe estava mais na imaginação do
107    que no espaço.

José Américo de Almeida. A Bagaceira. pág. 7-9.

7 -

Atente para o que se diz sobre o vocábulo “ainda” em “Dominava ainda a esmeralda tropical” (linha 51).

I. Indica um passado recente — tempo predominante na narrativa.

II. Aponta para um tempo indicado pela expressão ”havia uma semana” (linha 48).

III. É reiterado pela expressão “nessa manhã luminosa” (linha 57).

Está correto o que se diz somente em

a)

I.

b)

II.

c)

I e III.

d)

II e III.

8 -

Atente ao enunciado “Dominava ainda a esmeralda tropical” (linha 51).

I. O enunciado é formado por uma metáfora em que só aparece o segundo termo da comparação ou o termo comparante. O termo comparado é inferido do texto.

II. Na metáfora em foco foram aproveitados dois dos traços semânticos que ajudam a compor o significado da palavra esmeralda: a cor e o valor, comuns ao termo comparado e ao termo comparante.

III. Ao construir uma metáfora o falante seleciona somente os traços semânticos comuns ao termo comparante e ao termo comparado que interessam ao propósito do texto.

Está correto o que se diz em

a)

I e II apenas.

b)

I e III apenas.

c)

I, II e III.

d)

II e III apenas.

9 -

Atente ao trecho que vai da linha 46 à linha 65 e ao que se diz sobre ele.

I. Infere-se que o “toque estranho” (linhas 48-49) quebrou a monotonia da paisagem toda verde.

II. A expressão “o mesmo matiz” (linha 52) refere-se, indiretamente, a “cor de incêndio” (linha 47) e a “toque estranho” (linhas 48-49), como também a “pau d’arco” (linha 55) e a “o ouro que frondejava” (linhas 63-64).

III. A comparação que encerra o segundo parágrafo aproxima, para efeito expressivo, o matiz amarelo que se espalha pela paisagem de “um beijo do sol”.

Está correto o que se afirma em

a)

I e III somente.

b)

I, II e III.

c)

II e III somente.

d)

I e II somente.

10 -

Atente às palavras do texto, cujo significado você talvez desconheça, mas que pode ser esclarecido se for feita uma relação de significado textual com um de seus cognatos conhecidos: “torreira” (linha 50) é cognato de torrar, torradeira, torrada; “assoberbou” (linha 55) - verbo assoberbar é cognato de soberba, soberbaço, soberbia; “intonsa” (linha 98) é cognato de tonsura (“corte de cabelo em forma de pequeno círculo no alto da cabeça usado pelos clérigos”) e de tonsar (tosquear). Considerando o contexto em que os vocábulos destacados se encontram, marque a alternativa em que aparece, respectivamente, o significado textual de “torreira”, “assoberbou” e “intonsa”.

a)

Calor excessivo; dominou; não aparado ou cortado.

b)

Vegetação queimada; ficou superior; tonsura mal feita.

c)

Solo estorricado; agiu com orgulho; grande.

d)

Região tórrida; humilhou; mal cuidada.

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