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Informações da Prova Questões por Disciplina Downloads São Paulo - Metrô - SP - Advogado Trainee - FCC - Fundação Carlos Chagas - 2010 - Prova Objetiva

Estradas e Viajantes

 A linguagem nossa de cada dia pode ser altamente expressiva. Não sei até quando sobreviverão expressões, ditados, fórmulas proverbiais, modos de dizer que atravessaram o tempo falando as coisas de um jeito muito especial, gostoso, sugestivo. Acabarão por cair todas em desuso numa época como a nossa, cheia de pressa e sem nenhuma paciência, ou apenas se renovarão? Algumas expressões são tão fortes que resistem aos séculos. Haverá alguma língua que não estabeleça formas de comparação entre vida e viagem, vida e caminho, vida e estrada? O grande Dante já começava a Divina Comédia com “No meio do caminho de nossa vida...”. Se a vida é uma viagem, a grande viagem só pode ser... a morte, fim do nosso caminho. “Ela partiu", “Ele se foi”, dizemos. E assim vamos seguindo...Quando menino, ouvia com estranheza a frase “Cuidado, tem boi na linha”. Como não havia linha de trem nem boi por perto, e as pessoas olhavam disfarçadamente para mim, comecei a desconfiar, mas sem compreender, que o boi era eu; mas como assim? Mais tarde vim a entender a tradução completa e prosaica: “suspendamos a conversa, porque há alguém que não deve ouvi-la”. Uma outra expressão pitoresca, que eu já entendia, era “calça de pular brejo” ou “calça de atravessar rio”, no caso de pernas crescidas ou calças encolhidas, tudo constatado antes de pegar algum caminho. Já adulto, vim a dar com o termo “passagem”, no sentido fúnebre. “Passou desta para melhor”. Situação difícil: “estar numa encruzilhada”. Fim de vida penoso? “Também, já está subindo a ladeira dos oitenta...” São incontáveis os exemplos, é uma retórica inteira dedicada a imagens como essas. Obviamente, os poetas, especialistas em imagens, se encarregam de multiplicá-las. “Tinha uma pedra no meio do caminho”, queixou-se uma vez, e para sempre, o poeta Carlos Drummond de Andrade, fornecendo-nos um símbolo essencial para todo e qualquer obstáculo que um caminhante fatalmente enfrenta na estrada da vida, neste mundo velho sem porteira...

(Peregrino Solerte, inédito)

1 -

A frase de abertura do texto - A linguagem nossa de cada dia pode ser altamente expressiva - corresponde a uma tese:

a)

cuja contestação é coerentemente desenvolvida, concluindo-se com a referência a Carlos Drummond de Andrade.

b)

cujo desenvolvimento se faz com a multiplicação de exemplos, relativos a um mesmo campo de expressão simbólica.

c)

cujo desenvolvimento acaba por comprovar a ineficiência da linguagem simbólica, se comparada com a rotineira.

d)

cuja comprovação se dá pelo fato de que, na evolução de uma língua, as expressões simbólicas se mantêm sempre as mesmas.

e)

cuja contestação é encaminhada mediante a comparação entre a linguagem antiga e a linguagem contemporânea.

2 -

Atente para as seguintes afirmações:

I. No 1º parágrafo, expressa-se a convicção de que os modos de dizer mais expressivos não sobreviverão nos tempos modernos, por serem avaliados como ineficazes nos processos de comunicação.

II. No 3º parágrafo, a impossibilidade de o menino compreender a frase ouvida aos adultos deveu-se ao fato de estar traduzida em linguagem prosaica.

III. No 4º parágrafo, reconhece-se nos poetas a capacidade de enriquecimento expressivo da linguagem, especialistas que são na criação de imagens.

Em relação ao texto, está correto APENAS o que se afirma em:

a)

I.

b)

II.

c)

III.

d)

I e II.

e)

II e III.

3 -

As expressões E assim vamos seguindo e neste mundo velho sem porteira:

a)

devem ser tomadas como exemplos do mesmo tipo de repertório de imagens enumeradas no texto.

b)

constituem mais exemplos da tradução prosaica que se faz de bem conhecidas expressões simbólicas.

c)

remetem ao mesmo significado que se atribuiu ao verso "Tinha uma pedra no meio do caminho".

d)

assumem a mesma significação melancólica de expressões como "grande viagem" ou "passagem".

e)

significam, no âmbito das expressões simbólicas, que já não há mais nada de novo que se deva conhecer nesta vida.

4 -

Funcionam como marcas temporais, dentro de uma sequência histórica, as expressões:

a)

Não sei até quando e algumas expressões são tão fortes.

b)

Como não havia linha de trem e São incontáveis os exemplos.

c)

Já adulto e fornecendo-nos um símbolo essencial.

d)

Quando menino e Mais tarde vim a entender.

e)

Uma outra expressão pitoresca e já está subindo a ladeira dos oitenta.

5 -

Está correta a seguinte afirmação sobre um procedimento construtivo do texto:

a)

O segmento ou apenas se renovarão? expressa uma concomitância em relação ao segmento Acabarão por cair todas em desuso. (1º parágrafo)

b)

A construção Algumas expressões são tão fortes que resistem aos séculos expressa uma comparação. (2º parágrafo)

c)

No segmento ouvia com estranheza a frase, o elemento sublinhado está empregado com a significação sentindo-me estranho. (3º parágrafo)

d)

No segmento vim a dar com o termo "passagem", o elemento sublinhado tem o sentido de passei a me valer. (4º parágrafo)

e)

A construção Queixou-se uma vez, e para sempre, afirma a permanência que uma expressão confere a um incidente. (4º parágrafo)

6 -

As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:

a)

De todas essas formulações tão expressivas costumam resultar uma espécie de condensação sábia das experiências vividas.

b)

Algumas expressões saborosas, que parece resistirem à passagem dos séculos, não perdem o poder de síntese e a contundência dos símbolos.

c)

Não se devem fiar nos anos eternos ou nos caminhos infinitos, é a lição de muitos provérbios e expressões que se popularizaram.

d)

Não se decide se foram as pernas do menino ou as da calça que mudaram de tamanho, no caso daquelas duas saborosas frases.

e)

Se haviam pedras no caminho do poeta, também existem no nosso, mas nenhum de nós expressou isso com a mesma agudeza.

7 -

Transpondo-se para a voz passiva a construção Mais tarde vim a entender a tradução completa, a forma verbal resultante será:

a)

veio a ser entendida.

b)

teria entendido.

c)

fora entendida.

d)

terá sido entendida.

e)

tê-la-ia entendido.

8 -

Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto:

a)

Para alguém de uma língua estrangeira não será fácil, pelo contrário, comprender o sentido dessas expressões, difíceis até para quem fala a sua língua.

b)

Eu também, quando menino cheguei a ouvir tem boi na linha, assim como no texto, igualmente não entendendo o sentido tão obscuro para mim.

c)

Há em todas as línguas esse recurso de linguagem que, como ocorre em a grande viagem, expressa com alguma brandura uma experiência violenta.

d)

Também se usa o termo passamento, para expressar que alguém morreu, ou seja, se espera que a morte, sendo passagem, não é um fim em si.

e)

Quem nunca ficou a estar numa encruzilhada, não aquilata o difícil de uma decisão diante de mais de um caminho, a se abrirem para nós.

9 -

Considerando-se o contexto, expressam uma causa e seu efeito, nessa ordem, os segmentos:

a)

A linguagem nossa de cada dia // pode ser altamente expressiva.

b)

Algumas expressões são tão fortes // que resistem aos séculos.

c)

Como não havia linha de trem nem boi por perto // e as pessoas olhavam disfarçadamente para mim (...)

d)

Já adulto // vim a dar com o termo passagem (...)

e)

Uma outra expressão pitoresca // que eu já entendia (...)

10 -

Está inteiramente adequada a pontuação da frase:

a)

Por vezes não se compreendem, mesmo expressões como as do texto, porque os símbolos, não deixam de ser enigmáticos, quando não obscuros.

b)

Por vezes, não se compreendem mesmo expressões, como as do texto, porque os símbolos não deixam de ser, enigmáticos, quando não obscuros.

c)

Por vezes não se compreendem mesmo, expressões como as do texto porque, os símbolos, não deixam se ser enigmáticos, quando não, obscuros.

d)

Por vezes não se compreendem, mesmo expressões como as do texto porque os símbolos não deixam de ser, enigmáticos, quando não obscuros.

e)

Por vezes, não se compreendem, mesmo, expressões como as do texto, porque os símbolos não deixam de ser enigmáticos, quando não, obscuros.

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